13.1.10

Jornalistas bundões

Ungaretti é jornalista. Não é bundão. Está sendo processado por Ronaldo Bernardi, do Jornal Zero Hora, pelas críticas que faz ao trabalho do fotógrafo.

Ungaretti é professor. Está sob censura. Criticar ou comentar algumas matérias e material fotográfico de Zero Hora em seu site significa pagar uma multa diária de 150 reais. Medida que está completando um ano. Sempre usou seu Ponto de Vista pra estimular, fundamentalmente, o espírito crítico dos estudantes de jornalismo.

Consegui salvar alguns de seus textos e indicações, antes que a página saísse do ar. Me alimento ali muitas vezes, no trabalho de tentar levantar outra informação sobre os marginais que a grande mídia comercial elegeu e ataca, nessa luta diária de classes.

Mas o jornalista e professor censurado atua nas brechas, cava outro espaço pra compartilhar conosco seu ponto de vista sobre as ruas, as pessoas, a vida e o que nos omitem os jornalistas cães de guarda, que abanam o rabo para seus donos nas redações, e latem (vociferam) para os que se aproximam dos muros, pixar com as verdades que cortam.

Esta sua postagem de ontem (12.01), no blog que resiste:

JORNALISTAS BUNDÕES

Andréia vive pelos bares do Mercado Público de Porto Alegre. Quer casar com um coroa, branco. Promete fidelidade e dedicação. Sempre usou camisinha. Tem 38 anos. Disse que já foi mais bonita, mas quer voltar a se cuidar.

Estava tentando levantar uma grana para visitar o filho em Florianópolis. É super bem humorada. Suas observações sobre os frequentadores dos bares é de quem sabe tudo da vida. De uma vida sofrida.

Ele é Paulo Monteiro. Um técnico em enfermagem. Está sumido do emprego. Deveria estar trabalhando em um hospital de Porto Alegre. Um dos filhos, o que está com o cartão bancário dele, treina no Grêmio. O outro estuda para prestar vestibular na medicina. Ele admite que têm problemas de alcoolismo. Quando fala que está morando na rua começa a chorar. Estava se preparando para dormir na rua Voluntários da Pátria. Não tinha feito uma refeição durante todo o dia. Não disse muito mais do que isso. É super educado.

Anderson Alexandre procurava o que comer no lixo da Avenida Independência (PA). O iugurte, de todos os potinhos que encontrou, estava estragado. No máximo conseguiu uma ou outra fruta. Recolheu algum material de plástico para vender. É mais um morador de rua que vive do lixo.

Os jornalistas são uns bundões. Pontodevista está sob censura. Gostaria de dar o nome de alguns desses bundões. Os que com a bunda pregada diante dos computadores, das modernas redações, são os donos do mundo. O fotojornalismo é das fotos/divulgação, do material já editado pelas agências ou das pautas da perfumaria. Não posso fazer nada. É a minha opinião. O meu final de segunda-feira foi marcado por estas histórias de vida. Com 78 quilos (quatro a mais que Tarso de Castro) de músculos e fúria, sem o seu talento, transfiro esta porrada a todos vocês.

Jornalistas bundões um dia serão obrigados a prestar conta, das histórias não contadas. Por nos empaturrarem de tanto lixo perfumado. Todos com diploma. O jornal “Última Hora” de Porto Alegre, sob a orientação de Samuel Wainer, começou a circular em fevereiro de 1960. Ninguém tinha diploma.

Não compre nenhum jornal, pelo menos hoje. Existem melhores textos de ficção. Lixo ficcional não serve para nada. Intoxica. Os marginais, os que estão à margem, vão comer os bundões. Qualquer dias desses.

Palavras como estiletes. Quero perfurar a alma das pessoas.

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